Stress oxidativo: complementos alimentares mais eficazes
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O stress oxidativo corresponde a um estado em que as espécies reativas de oxigénio e de azoto, produzidas naturalmente durante a respiração celular e as respostas imunitárias, excedem a capacidade dos mecanismos antioxidantes de defesa. Este desequilíbrio conduz a uma acumulação de radicais livres que podem causar danos oxidativos ao longo do tempo, envolvidos na alteração do ADN, dos lípidos e das proteínas.
Estes processos conduzem ao envelhecimento celular e à génese de muitas patologias crónicas.
Compreender o stress oxidativo
Nas células, a produção de energia através da respiração celular é um processo vital que ocorre nas mitocôndrias, durante o qual cerca de 2 % do oxigénio consumido é transformado em radicais livres de oxigénio. Estas moléculas desempenham também um papel essencial na defesa imunitária, ajudando a destruir os agentes patogénicos. No entanto, a sua natureza química instável, devido à presença de um eletrão desemparelhado, leva-as a reagir com outras moléculas para recuperar a sua estabilidade. Este comportamento pode causar danos nos lípidos, nas proteínas e no ADN quando não são neutralizadas por sistemas antioxidantes.
O nosso corpo dispõe de defesas antioxidantes enzimáticas, como a superóxido dismutase, a catalase e a glutationa peroxidase, e não enzimáticas, tais como as vitaminas C e E. Estes sistemas neutralizam as espécies reativas, limitando o seu poder oxidante e reparando os danos causados.
Factores que contribuem para o stress oxidativo
Os factores ambientais desempenham um papel fundamental na acumulação de espécies reativas no organismo. Estes elementos estão muitas vezes ligados ao nosso modo de vida:
• Poluição atmosférica : As partículas finas e os gases tóxicos presentes no ar ambiante estimulam a produção de espécies reativas, nomeadamente nos pulmões.
• Radiação ultravioleta (UV) : Uma exposição excessiva aos UV pode induzir danos oxidativos nas células da pele ao desencadear a formação de radicais livres.
• Tabaco : O tabagismo, ativo ou passivo, é uma fonte importante de espécies reativas, geradas pelas substâncias tóxicas inalada.
• Consumo de álcool : O etanol e os seus metabólitos favorecem o stress oxidativo, nomeadamente no fígado.
• Alimentação desequilibrada : Uma carência de nutrientes antioxidantes (vitaminas C, E, selénio) ou um excesso de açúcares refinados e de gorduras saturadas pode desequilibrar a relação entre espécies reativas e defesas antioxidantes.
Certos processos fisiológicos ou patológicos no organismo podem também exacerbar a produção de espécies reativas:
• Inflamação crónica : Quando uma inflamação persiste, as células imunitárias (como macrófagos e neutrófilos) libertam espécies reativas para eliminar agentes patogénicos, o que pode causar danos aos tecidos saudáveis.
• Desequilíbrios metabólicos : Perturbações metabólicas como a obesidade ou o diabetes aumentam os níveis de espécies reativas devido a alterações nas vias metabólicas, nomeadamente na β-oxidação dos ácidos gordos.
• Respiração celular : Embora a respiração mitocondrial seja uma fonte normal de produção de espécies reativas, uma disfunção mitocondrial pode causar um fluxo excessivo de eletrões e um aumento da produção de radicais livres.
• Produção hormonal excessiva : Certas condições, como a hipertireoidismo, podem amplificar os processos metabólicos e aumentar a geração de espécies reativas.
Consequências do stress oxidativo
O stress oxidativo é um factor chave na fisiopatologia de muitas doenças ligadas ao envelhecimento:
• Doenças cardiovasculares : A oxidação das lipoproteínas de baixa densidade (LDL) desempenha um papel central na aterosclerose, aumentando o risco de enfarte e de acidentes vasculares cerebrais.
• Cancro : Os danos oxidativos no ADN favorecem a instabilidade genómica, um mecanismo subjacente à transformação tumoral.
• Diabetes : Um excesso de espécies reativas altera as células β do pâncreas, reduzindo a secreção de insulina, e contribui para o aparecimento de complicações diabéticas, nomeadamente a retinopatia e a nefropatia.
• Doenças neurodegenerativas : O stress oxidativo está fortemente implicado na progressão de doenças como Alzheimer, Parkinson e a esclerose lateral amiotrófica, onde exacerba a morte neuronal.
Biomarcadores do stress oxidativo
O stress oxidativo pode ser avaliado por biomarcadores específicos que refletem os danos oxidativos ou o estado das defesas antioxidantes.
• Danos no ADN : A 8-hidroxi-2'-desoxiguanosina (8-OHdG) é um marcador chave dos danos oxidativos no ADN. É frequentemente utilizada para avaliar o efeito dos radicais livres no material genético.
• Peroxidação lipídica : A malondialdeído (MDA) e os isoprostanos são indicadores fiáveis dos danos aos lípidos das membranas causados pelos radicais livres.
• Oxidação de proteínas : Os produtos da oxidação das proteínas, como os carbonilos proteicos, reflectem as alterações nas proteínas estruturais e enzimáticas devido ao stress oxidativo.
• Defesas antioxidantes : Os níveis de enzimas como a superóxido dismutase (SOD), a glutationa peroxidase (GPx) e a catalase (CAT), bem como as concentrações de glutationa reduzida (GSH) e de vitaminas antioxidantes (C e E), são medidos para avaliar a capacidade do organismo em neutralizar as espécies reativas.
Prevenção
O organismo humano dispõe de um arsenal enzimático endógeno que neutraliza os radicais livres, transformando-os em compostos menos nocivos.
• Superóxido dismutase (SOD) : Esta enzima catalisa a conversão do radical superóxido em peróxido de hidrogénio, uma molécula menos reativa. Para funcionar eficazmente, necessita de cofactores como o manganês, o cobre e o zinco.
• Glutationa peroxidase (GPx) : Elimina os peróxidos lipídicos e o peróxido de hidrogénio utilizando a glutationa como substrato. O selénio é essencial para a sua actividade.
• Catalase : Esta enzima converte o peróxido de hidrogénio em água e oxigénio, limitando assim o seu potencial oxidante.
Estas enzimas endógenas activam-se em resposta ao stress oxidativo, mas as suas capacidades podem ser ultrapassadas em caso de exposição prolongada ou excessiva a factores externos.
Quando os sistemas enzimáticos internos não são suficientes, entram em jogo antioxidantes provenientes da alimentação. Estas moléculas actuam aprisionando directamente os radicais livres.
• Vitamina C : Hidrossolúvel, actua em meios aquosos para neutralizar os radicais livres, protegendo assim o ADN e as proteínas.
• Vitamina E : Lipossolúvel, incorpora-se nas membranas celulares para prevenir a oxidação dos ácidos gordos polinsaturados.
• Vitamina A e carotenoides : Estes compostos neutralizam espécies reactivas específicas como o oxigénio singulet, protegendo os tecidos e as membranas (nomeadamente da pele).
• Coenzima Q10 : Para além do seu papel na produção de energia mitocondrial, actua como antioxidante ao inibir a peroxidação lipídica e ao regenerar outros antioxidantes, como a vitamina E.
• Minerais : O zinco, o cobre, o manganês e o selénio apoiam a actividade das enzimas antioxidantes, como mencionado anteriormente.
Um modo de vida saudável continua a ser essencial para reduzir o stress oxidativo. O consumo de frutas e vegetais ricos em antioxidantes naturais, tais como os polifenóis, reforça as defesas contra os radicais livres.
Embora um exercício intenso possa aumentar a produção de radicais livres, uma actividade física regular e moderada estimula as defesas antioxidantes.
Além disso, é importante limitar o tabaco, o álcool e os poluentes ambientais, ao mesmo tempo que se procura controlar o stress.